Terça-feira, 11 de Março de 2014

Chegada ao Luso

A noite no Munhango, terra onde nasceu Jonas Malheiro Savimbi, mas que nos ficou na memória por todos os motivos menos por ser a terra natal de líder da UNITA, é recordada pelo que teve de mau. Mau, mas um mau relativo, porque muitos milhares de camaradas militares tiveram, ao longo da comissão, muitas noites muito piores. A noite no Munhango fica-me na memória porque foi a que antecedeu o dia em que cheguei ao Luso – hoje Luena – 11 de Março, há precisamente quarenta e quatro anos.

 

Se o Dondo e General Machado, locais de pernoita na odisseia de Luanda ao Luena, eram pequenas povoações, o Munhango era menos do que tudo. Não me lembro de ver casas, mas certamente haveria a estação do CFB e mais uma ou outra casa. Quanto a estabelecimentos comerciais onde se conseguisse tomar um café ou uma cerveja, também poderia haver, mas não tenho qualquer ideia de os ter visto.

 

Recordo-me, isso sim, de andar ali perto do comboio a fazer tempo para depois ir procurar lugar na carruagem onde dormir. Mas nestas, como em tantas outras situações da vida, quando tomamos uma decisão já outros se anteciparam e tomaram um lugar poderia ser nosso.

 

Foi o que aconteceu quando entrei na carruagem. Os bancos estavam ocupados com outros militares que tinham decidido colocar o corpo em toda a sua extensão. Lugares onde dormir de pernas estendidas só debaixo do banco.

 

Foi o que fiz. Deitei-me debaixo de um banco com os braços a cumprirem a missão de travesseiro e a ignorar o pó que ali estava acumulado e que sempre tive a ideia de ter cor acastanhada. Esta sensação era transmitido mais pelo alfacto do que pelo que vira porque o breu da noite mantinha-me na ignorância.

 

Poderia, ao despertar, manhã bem cedo, ter tido a preocupação de verificar se tal correspondia ao que imaginara, mas nestas coisas mais vale manter-se  na ignorância…

 

O Mala iniciou a marcha. Quatro horas volvidas, estaria a chegar ao Luso, onde muita gente esperava na estação. Claro que não nos esperavam a nós. O militar não tinha família. Era só militar e isso é tudo e suficiente. Mas recordo-me de ver o primeiro sargento José Azeitona Costa, que faria o favor de ser nosso amigo enquanto teve por missão coadjuvar o Hélder Serra, que era alferes de Transmissões, tendo à sua responsabilidade do Centro Cripto e o Centro de Mensagens do ComZML-Comando da Zona Militar Leste.

 

No CCP (Centro Cripto) recordo-me de ter na recepção o Ezequiel Rodrigues, o Simões e o Fareleira, estes de Viseu e o primeiro de Lisboa.

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publicado por angolaleste às 16:11
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